Todos tivemos experiências de leitura que nos marcaram a ponto de nunca serem esquecidas...
Compartilhamos, abaixo, algumas das nossas...
Gostaríamos que vocês também nos contassem as suas, o que enriquecerá muito o nosso blog!!!
Gostei da oportunidade de poder avaliar minhas experiências de leitura, meu percurso até hoje e a experiência que tive enquanto formadora de leitores...
Fui criada em meio a livros... na 4ª série do ensino fundamental, estudava numa escola municipal em São Paulo. Na época houve uma premiação para alunos que se destacaram e o prêmio foi uma coleção de livros de todos os gêneros... Tenho até hoje alguns volumes e me lembro de que adorei ler os livros de Monteiro Lobato com a turma do Sítio do Pica Pau Amarelo. Até então, meu pai comprava muitos gibis da Turma da Mônica e os meus prediletos, Asterix e Obelix... Dai em diante começou a comprar as coleções que a Abril Cultural lançava, um livro por mês...lembro-me de Robin Hood e Beleza Negra...
Minha mãe gostava de ler, mas tinha predileções que não me agradavam. Mesmo assim ouvia seus comentários e pude conhecer novas idéias e tendências literárias.
Não consigo avaliar o por que de não ter me tornado uma leitora voraz... durante um bom tempo de minha vida esqueci dos livros... lia revistas e aqueles obrigatórios no currículo escolar... Quando fiz a graduação, retomei a leitura, porém somente voltada à história, filosofia e sociologia...não tive problemas, tive prazer...
Hoje, tenho procurado retomar o hábito... buscado ler mais livros que me distraiam e me completem...
Cristina Gurian
Lá pelos 8 anos, eu morava num orfanato, dirigido por freiras franciscanas, de uma ordem denominada Maristella. Estava no sertão de Pernambuco. Na sala de estudos, em que as freiras nos levavam para estudar, fazer lições de casa e escrever castigos imensos, havia um armarinho com livros dentro. Vez em quando, uma delas abria para pegar algum e eu via, de relance, as formas e as cores dos tais livros. Havia uma coleção toda enfeitada de ouro. Eram livros grandes e lindos... Um dia, a freira esqueceu aberto e eu "roubei" um daqueles "de ouro". Era um livro das mil e uma noites. Eu devo ter passado mil e uma noites me arrependendo, de tanto que doeram as pancadas. Eu nunca consegui ler esta obra inteira... Mas li outras, muitas outras e continuo lendo, sem arrependimentos. Penso que o "único" castigo que temo, é morrer sem que dê tempo de eu ler o que venho elencando para esta vida
Marluce do Nascimento
Como é bom partilhar informações. Os depoimentos são ótimos e trazem grandes recordações. Relembram situações, clarificam pensamentos e oxigenam a mente. Há também informações preciosas, como a ideia de que quando algo nos impressiona já está dentro de nós como destaca o Pintor Newton Mesquita ou a função essencial da Literatura como libertador do ser humano como destaca o Psicanalista Contardo Calligaris. Mas como educador me preocupa situações como a descrita pelo Advogado e Jornalista Fábio de Paula Xavier Marchioro que transcreve o depoimento de Marcelo: "Para mim, ler não acrescenta nada".
Tudo tem valor, mas a falta de futuro, de espaço ou liberdade são lembranças que levam o nosso presente aos tempos onde não era possível ler qualquer livro, nem todas a ideias eram permitidas e tudo era criado como última chance.
Que viva a Educação e que de frutos de bem querer e amor.
Um grande abraço a todos, e boa e livre leitura.
Minha trajetória de leitura e escrita
Havia participado durante três semanas, das aulas de pré-escola, quando meus pais mudaram-se de cidade. Deixei amigos e referências da cidade pequena e fui para um local onde não havia escolas para crianças da minha idade.
Eram meados de maio quando uma tia materna, percebendo minha tristeza pela falta da escola, resolveu conversar com a professora de um dos seus filhos que estava na primeira série. Fui aceita como aluna ouvinte, coisa rara na época. Alguns dias depois, minha mãe foi chamada à escola e a professora comunicou-lhe a respeito da necessidade da minha matrícula, pois eu já estava lendo e escrevendo... Felicidade geral.
Fui alfabetizada, aos cinco anos de idade, através da cartilha Caminho Suave...
As leituras durante este período escolar foram muito diversas, mas sempre muito formais. Não lembro-me por exemplo de momentos de contação de histórias na escola.
Em casa não tínhamos muitos livros para leitura, mas meus pais empenharam-se em adquirir duas enciclopédias para nossas pesquisas escolares. Doei estes livros recentemente, ainda muito bem conservados. Uma das minhas tias também tinha uma pequena biblioteca em casa. Eu admirava aquela estante, mas dificilmente os livros saíam de lá. Também tive alguns discos coloridos com histórias de contos de fadas.
O primeiro livro que li, ou tentei ler, por recomendação da professora de Língua Portuguesa foi “Olhai os Lírios dos campos” – a leitura para uma aluna que ainda ia completar 10 anos, não foi nem um pouco atrativa. Eu virava o livro de todos os lados e não sabia por onde começar. O tempo passava e eu desesperava-me com o encarte e todas aquelas perguntas para responder. Foi uma experiência ruim. Hoje tenho certeza que a professora fez uma escolha equivocada.
Nos anos seguintes li, também por indicação escolar, (outra professora) muitos livros da “Série Vagalume”. Foram momentos mágicos. Lia sem parar... O Caso da borboleta Atíria, A Ilha perdida, A Árvore que dava dinheiro, O Menino de asas, A Velha contrabandista...
Para meus alunos, a leitura e a importância do ato de ler sempre estiveram muito presentes. Sempre criei momentos, aproveitei outros. Trabalhei com projetos de leitura, livros indicados, livros trazidos por eles, biblioteca ambulante...
Tenho uma pequena biblioteca em casa. E uma mini biblioteca infantil. Leio muito. Um pouco de tudo. Milha filha foi alfabetizada através das leituras com gibis, Hoje aos 10 anos, interessa-se por contos de aventura. Ela também tem uma cestinha com os livros que separa para as leituras que quer fazer em breve. É maravilhoso! Todas as noites antes de dormir, lemos uma história.
Renata


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