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Nada mais instigador do que Ler Para Ficar Sabendo, que este blog é uma iniciativa proposta pelo programa de Formação de Professores, intitulado Práticas de Leitura e Escrita, na Contemporaneidade. O Curso - Leitura e Escrita em Contexto Digital - oferecido pela Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo, pretende ampliar a formação de professores, firmando-os nas práticas de leitura e escrita, em contextos digitais interativos. Com o desenvolvimento desta atividade, ganhamos todos – professores, alunos e seguidores - mais um espaço de leituras, releituras e vivências, que se ramificarão em nossas práticas de cidadania. Convidamos a todos, a uma boa "lida" nesta estrada escrita.

Encontros e Despedidas - Milton Nascimento

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete...

domingo, 15 de abril de 2012

Eu, Professor de Mim...


Como?
Sim. Sou professor.
Em outros tempos, talvez eu dissesse isso, com pontuação pulsativa.
Talvez exclamasse, a plenos pulmões;
Sou professor!!!!!
Foi assim que o fiz, quando me vi diplomado e contei para os meus...
Ah, eram tantos os sonhos que eu trazia em mim...
Fazer e acontecer me parecia duas ações tão simples como lavar as mãos e enxugar.
Ah... Os jovens... Aquela  toda  coragem de brincar de ser  Deus e reformar o  mundo...
O que houve? Eu não sei. Não sei o que houve.
Hoje digo “sou professor”, com um ponto ensimesmado de finalidade.
Não! Não penso ser outra coisa. Não haveria como tornar-me o que não sou, embora pense ser tanta coisa...
Não é desta finalidade que falo.
Falo da finalidade de minhas ações, enquanto ser que professa e que ora confessa.
Creio, ser a finalidade, o que busco incessantemente.
A finalidade.
Essa que apressa o sangue para o querer ir e faz ansiar pelo chegar.
Mas onde é que eu quero chegar...
Ora, pois... Quero chegar ao cerne do meu compor-me.
Quero olhar-me professor. Quero saber-me professor. Quero gostar-me professor.
Não. Não creio estar desanimado.
Não sei ao certo a palavra que diz do meu sentir. Não é desânimo.
O mundo movimentou-se tão ligeiro...
Minhas crenças se perderam e eu, sequer me lembro onde.
A bem da verdade, não me lembro de muita coisa.
Não há tempo para reminiscências.
Em que eu acreditava?
Ora, que pergunta essa, em mudar o mundo, é claro.
E eu sabia. Sabia sim, o quê e como fazer.
Tive grandes mestres e seria como eles.
Sim. Eu consegui.
Consegui sim, tornar-me um deles.
Mas quando cheguei a isso, meu aluno já não era eu. Cheguei tarde.
Tenho a impressão de que chego tarde...
Olho para o novo e me arrasto, como se houvesse em mim, uma velhice defensa.
Vejo com maus olhos, os que me querem ativo e me defendo do esforço, na morosidade
Olham-me com descrença, mas depois de velho, eu não quero “encrencas”
Quero acomodar-me no asilo dos meus “todos” saberes.
Que mais poderiam ensinar-me? A mim que “sou velho” e sei?
E de repente estanco, olhando “os que não querem o que sou”: 
“O que sei eu do sou ou do que serei...?”
Velho? Santo Deus! O que tenho feito de mim...?
Conto ainda tão pouca idade e me arrasto, tateando conhecimentos já rotos...
Penso ter pernas bambas para a finalidade que intento...
Oferecem-me uma terceira perna e grito logo do desconforto.
O que diabos eu faria com uma “terceira perna”...? Mancaria talvez...
Teria que reaprender a andar professor de novo... E de novos
Mas quem, neste largo mundo, me esperaria de braços abertos, para o caso de eu titubear?
E se de repente eu descobrir...
Se eu descobrir, que o andar que eu tinha, apenas vela o andar que não sei?
O que farei do que não sei?
Olhar? Para onde?
Para frente?
Ah... São tão pequeninos, franzinos e apressados... O que estão fazendo?
Buscando?  Assim? Sem peso e sem medo?
Trago o peso de Atlas em minhas buscas, e eles, tão leves, também buscando...
Como assim juntar-me a eles? O que faria eu no meio deles?
Sou professor!!! Lembra-se?
Pode me explicar por que me disse: “Perfeito”?
Oh Céus... É claro...
O Encontro.
Finalmente os vejo...
Ei! Menino!!! Pode me dar a mão? 
Este velho aqui, ainda é professor e precisa encontrar-se...

Marluce  do Nascimento – 25-05-2011



Um comentário:

  1. Ei menino!!! Pode me dar a mão?

    Muito atual, Profª Marluce!! Não é assim que temos feito para compartilhar as novidades da Internet?

    Abraços!!

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